sexta-feira, 18 de junho de 2010

O SONHO E A POESIA


A Cidade do Sonho



Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te


O caminho que leva à Cidade do Sonho...


De tão alta que está, vê-se de toda a parte,


Mas o íngreme trajecto é florido e risonho.






Vai por entre rosais, sinuoso e macio,


Como o caminho chão duma aldeia ao luar,


Todo branco a luzir numa noite de Estio,


Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.






Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,


Deves empreender essa jornada louca;


O Sonho é para nós a Terra Prometida:


Em beijos o maná chove na nossa boca...






Vistos dessa eminência, o mundo e as suas


[sombras,


Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol;


O mais estéril chão tapeta-se de alfombras,


Não há nuvens no céu, nunca se põe o Sol.






Nela mora encantada a Ventura perfeita


Que no mundo jamais nos é dado sentir...


E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,


A própria Dor começa a cantar e a sorrir!






Que importa o despertar? Esse instante divino


Como recordação indelével persiste;


E neste amargo exílio, através do destino,


Ventura sem pesar só na memória existe...



António Feijó, in 'Sol de Inverno'





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